Igrejas abrem Campanha da Fraternidade Ecumênica em Vitória

Paz e Bem!

A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 está oficialmente aberta nas igrejas cristãs da Grande Vitória e comunidades que pertencem à Arquidiocese de Vitória. Cumprindo a tradição de abrir o tempo de reflexão especialmente no primeiro domingo da Quaresma, o CONIC/ES realizou na tarde deste domingo (21/02) a Abertura da CFE2021. O evento foi realizado no Igreja Presbiteriana Unida de Vitória, com presença de lideranças religiosas das Igrejas Presbiteriana Unida, Episcopal Anglicana, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e Católica Apostólica Romana. Um representante da tradição religiosa de matriz africana também esteve presente.

Representando a Igreja Católica, o Arcebispo Metropolitano de Vitória, Dom Frei Dario Campos e o Vigário Episcopal para a ação social, política e ecumênica da Arquidiocese de Vitória, Padre Kelder Brandão; além do Frei Pedro de Oliveira Rodrigues, representante do CONIC/ES, entre outros religiosos e irmãos leigos e pastores das igrejas irmãs.

O culto ecumênico teve início às 15h, com transmissão pelas plataformas digitais da Arquidiocese de Vitória e do Convento da Penha. Edinéia dos Anjos, conduziu os momentos iniciais do encontro que teve a palavra da 1ª Vice-presidente do CONIC Nacional, Anita Sue Wright Torres. Segundo ela, construir pontes deve ser um objetivo de todos nós. “Quando escolhemos o tema, pensamos que este é o sonho de cada um de nós, temos Cristo como nossa paz, queremos derrubar muros e construir pontes, não queremos dividir, queremos unir, esse é o desejo do CONIC para todos nós”.

Abrindo a “Liturgia da Palavra” Frei Pedro de Oliveira, Coordenador do CONIC Estadual, na mesma linha de reflexão, citou a Encíclica “Fratelli Tutti” do Papa Francisco. “Neste momento de tantas divisões, que o Espírito do Ressuscitado possa nos conduzir, nos irmanar, para que tornemos presente concreto o grande sonho de Deus, de um mundo justo, humano e fraterno, um mundo onde todas as divisões sejam superadas. Que o Senhor nos ajude!”, disse o frade.

Um dos momentos mais fortes do evento foi quando os cristãos, unidos, derrubaram os “muros” do mal. Muro do “machismo, medo, autoritarismo, ódio, maldade, intolerância, desesperança, violência, discriminação, xenofobia, racismo estrutural, negacionismo, intriga”, etc. No lugar dos muros se constrói redes que unem, ligam, resgatam.

Neste ano de 2021, a CFE traz como tema: “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz; do que era dividido, fez uma unidade”, tema escolhido e apoiado na carta de São Paulo aos Efésios (2,14). Através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados e inspiradas no amor de Cristo, convidar comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar caminhos para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual.

Após a Oração da Campanha, o Arcebispo de Vitória, Dom Dario, fez uma reflexão afirmando que com a CFE, inaugurou-se um tempo novo “de esperança”. “Nesses tempos de pandemia, Jesus nos convoca e convida a orar pelos que morreram, pelo serviço de tantos profissionais de saúde a estimular a solidariedade entre as pessoas de boa vontade. Nessa celebração abrimos oficialmente a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021. Nos encontramos aqui hoje para a escuta da palavra de Deus, a partilha de nossas experiências de fé, para o diálogo atento e disponível entre nós. A Campanha ressalta um dos grandes valores do Concílio Vaticano II, que é o diálogo entre as diversas experiências religiosas no intuito de superar as distâncias e superar os muros de separação e aprofundar o compromisso da construção da Casa Comum, a partir do reconhecimento de que ‘somos todos irmãos e irmãs’… Somos marcados pelo sincero desejo de ver presente neste mundo os sinais do Reino de Deus. O caminho do diálogo, da comunhão, que instauramos entre nós, deve estar baseado em algo inegociável, mesmo para os que não professam a fé cristã (no fato e na realidade) de que todos nós desejamos um tempo novo, pleno de esperança, de liberdade, fraternidade, vida digna para todos… Devemos nos voltar para Jesus Cristo, ouvirmos a Sua Palavra, contemplarmos um gesto de realizou e as opções que Ele fez, afim de descobrirmos o caminho que devemos seguir e a estrada a ser trilhada. Cristo é nossa paz e somos todos irmãos e irmãs”.

A Doutora Claudete Beise Ulrich, pastora voluntária da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, de Vitória-ES, explicou que a Campanha da Fraternidade traz um ecumenismo que possui raiz no diálogo e na construção de redes. “Nosso país, nossas comunidades, nosso cotidiano necessita de paz. Cristo é nossa paz, o que significa essa confissão de fé de Paulo em tempos tão incertos em que vivemos? Caracterizados por conflitos, violência, racismo, xenofobias, homofobias, feminicidios, e outras tantas práticas de ódio. Como anunciar a Boa-Nova de Jesus Cristo em períodos turbulentos como o atual? O diálogo é o caminho! O diálogo e a construção de pontes, de redes… Sabemos que o Espírito Santo nos move para a paz. O ecumenismo nos remete também, uma palavra bíblica, na experiência de pentecostes. Diferentes povos ouviram e entenderam a mensagem… Somos chamados, de maneira ecumênica, ‘in loco’, em seu contexto, na sua realidade, a viverem a experiência da irmandade em Cristo. Somos chamados nas diferentes formas de confissão, de organização religiosa, a promover a paz e não é qualquer paz. Não é a paz das armas, é a paz de Jesus, a paz que nasce do Crucificado. Não queremos armas, nós queremos a vida, queremos a vacina, queremos a paz. Afirmamos que todas as vidas importam. Ser Igreja de Jesus Cristo é ser uma Igreja Ecumênica, é superar a ‘cultura do ódio’”, comentou.

Pastora Odete ainda comentou que o coronavírus trouxe ainda o negacionismo. “O vírus da covid-19, tão letal em si mesmo, encontrou ainda aliados na indiferença à ciência, ao negacionismo, no obscurantismo, no desprezo pela vida. Nós somos convidados a sermos aliados na responsabilidade, na lucidez e na fraternidade”, concluiu.

Ao final, durante o momento do “Ofertório”, Marco Romagna e sua esposa, fizeram a leitura da Carta da Arquidiocese por ocasião do lançamento da “Campanha Permanente contra a fome pela inclusão social”.

Encerrando o evento de abertura da Campanha, antes da Bênção Final Ecumênica, os pastores entoaram uma espécie de “ciranda”, sem dar as mãos. “Entra na roda também, você é muito importante, por isso vem…”

Fonte: Convento da Penha

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