1º de Maio: a pandemia e a crise do desemprego

Robson Ribeiro de Oliveira Castro

Iniciamos o mês de maio com uma data emblemática: dia 1º de maio – Dia do Trabalhador! Neste dia se faz memória a São José que, como um bom pai trabalhador, São José “era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho”, como nos apresenta o Papa Francisco na Carta Apostólica Patris Corde.

No exemplo de José, Jesus aprendeu o ofício de carpinteiro e também as tradições judaicas de seu povo. Aprendeu a cuidar e zelar pelo trabalho. Conheceu e aprendeu a manipular as ferramentas certas para cada tipo de madeira ou serviço. Conseguiu compreender a sua missão, atento ao que via na carpintaria de José, transformando um pedaço torto de madeira em lindos objetos.

Ao nos depararmos com a pandemia do novo coronavírus, nossa realidade mudou. As transformações são visíveis e cada vez mais urgentes. Não é novidade que hoje, nas redes sociais e nos jornais, encontramos o relato de famílias que sofrem com o desemprego.

A fome voltou a ser o cenário de milhões de brasileiros, mas, ao mesmo tempo, ganhamos novos bilionários. Por isso, falar de distanciamento social é algo sério nos nossos dias, dura realidade frente aos problemas sociais existentes. Com este cenário, o povo brasileiro está incrédulo frente às perdas de vidas humanas e o desemprego. Isso se dá pela crise que, diante da realidade da pandemia da Covid-19, muitos setores interromperam suas atividades, dispensando seus funcionários.

Atentos às realidades e ao que nos assola além da Covid-19, temos um país entregue ao descaso. Só há espaço para se falar de armamento, destruição das florestas e mares, além de discriminar os povos indígenas, negros, LGBTQI+ e todos que pertencem às periferias e compõem a parcela mais pobre da sociedade.

Não há espaço nas agendas dos governantes e o auxílio emergencial não garante o sustento de famílias inteiras. Preferem gastar com outros setores e não se preocupam com o povo. É urgente pensar nas consequências desta pandemia que afeta, física e psicologicamente, a sociedade inteira. Destarte, faz-se necessário pensar, a longo prazo, em planos de preservação dos empregos e alternativas para a vida de milhares de famílias.

Então, diante deste cenário como comemorar o Dia do Trabalhador? Uma vez que muitos dos brasileiros perderam seus empregos ou tiveram que adaptar a vida para fazer algum tipo de “bico” para completar a renda de uma família numerosa e que vive, muitas das vezes, nas periferias, não somente físicas, mas também existenciais, como já nos alertava o Papa Francisco.

Para tentar reverter este quadro, muitos trabalhadores se sujeitam à exploração para manterem seus empregos. A pandemia colocou o ser humano em uma realidade complexa e difícil. A crise do trabalho é resultado de uma opção social e mostrou a sua pior face: a fome!

Vivenciar este período, olhando para a realidade e diante dos desafios, somos obrigado a reinventar aquilo que já era estabelecido: recriar atitudes e um novo jeito de ser e viver, mais ético, humano e solidário com os que sofrem

Infelizmente, esta realidade ainda é muito distante e difícil face a uma sociedade que é individualista. Entretanto, o retorno aos lares e o isolamento social nos fez observar que a família e a casa são um ambiente propício para o reencontro da família. Por isso, a ética nos faz refletir sobre nossas condutas e nossa relação social.

De fato, é uma preocupação constante, uma realidade que precisa ser revista, e a condição de uma maior atuação dos líderes do governo e empresários pela luta contra a fome e a miséria no mundo todo. Por isso refaço a pergunta: “E o trabalho, cadê?”

É necessário observar a conduta ética de lideres mundiais e a sua preocupação em manter a condição humana e sua dignidade. Para tanto, os menos favorecidos e as classes trabalhadoras mais pobres, que sofrem com a pandemia, necessitam de apoio e condições para manter suas famílias.

Importante reforçar a dignidade do trabalhador e do trabalho, pois “a crise do nosso tempo, que é econômica, social, cultural e espiritual, pode constituir para todos um apelo a redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho para dar origem a uma nova ‘normalidade’, em que ninguém seja excluído”, afirma o Papa Francisco na Carta Apostólica Patris Corde.

A nossa condição humana e a nossa conduta ético-moral devem ser pautadas em princípios, pois diante do outro e da sua agonia, devemos considerar como nossa também a sua dor e o seu sofrimento. Diante desta condição, que se possa falar em misericórdia e amor, mais do que lucro e bens materiais.


Robson Ribeiro de Oliveira Castro  é leigo. Mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). Atualmente leciona no Instituto Teológico Franciscano (ITF). E-mail: [email protected]

Fonte: Franciscanos

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