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As Marcas do Templo

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, matriz da primeira paróquia de Vila Velha, é monumento cultural tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 20 de março de 1950, com inscrição no Livro do Tombo Histórico sob o número 354, folha 46.

Construída de frente para o mar da enseada da Prainha, com os fundos voltada a uma extensa planície que se abre a partir da lacuna entre dois rochedos, onde se localiza o templo, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário parece dar boas-vindas aos que aportam e indica oferecer proteção aos que ao continente adentram.

Constituiu-se como uma guardiã que velava a povoação constituída por Vasco Fernandes Coutinho e que até os princípios do século XIX não havia prosperado, abandonada que foi pouco mais de 15 anos de sua fundação com a migração da sede da capitania para a ilha de Vitória.

Ponto resistente nos descaminhos da colonização e sobrevivente da sanha modernizadora que assaltou os trópicos brasileiros em princípios do século XX, colocou-se como testemunha de nossa história desde os portugueses.

Os aterros afastaram a igrejinha um pouco da beira-mar, mas uma alameda de palmeiras fincada na porção de terra que a prainha distanciou amenizou a interferência humana na cena original do princípio da colonização, e serve graciosamente de guia ao olhar que busca o mar.

Segundo informa o IPHAN-ES, em folder para distribuição aos fiéis e visitantes do templo, “nesta Igreja de Nossa Senhora do Rosário, celebraram o padre Manoel da Nóbrega, fundador da cidade de São Paulo, bem como o recente canonizado padre José de Anchieta. Nesta Igreja, participava da Eucaristia e da Confissão o venerável franciscano frei Pedro Palácios”.

Essa instituição de vulto histórico é descrita por Almeida (2009, p. 389) como uma obra “de padrão generalizado, próprio das igrejas mais antigas ou de programa mais modesto”, apresentando “nave única e capela-mor, perfeitamente diferenciadas na largura e pé-direito, e pequena sacristia atrás do altar-mor. Complementarmente, há um coro sobre a entrada”.

A pesquisadora destaca a “qualidade técnica do frontispício, especialmente do seu frontão”, que, “arrematado por uma cruz, teve suas empenas delineadas por amplas e elegantes volutas, seu tímpano recoberto por decorado de naturalista inspiração e singularmente perfurado por óculo lobado”. Continuando sua rica descrição, Almeida registra:

Tendo por base uma cimalha de discreto relevo, onde se apoiam dois altos coruchéus, o frontão foi dimensionado para configurar harmoniosa proporção com o plano da fachada. Essa tem suas arestas reforçadas por discretos cunhais, entre os quais foram dispostas uma porta de entrada e três janelas sobre o coro. A porta tem seu vão guarnecido, pelo lado de fora, por aro de pedra, arrematado por verga em formato curvo, o mesmo adotado para as janelas. Essas foram emolduradas por quadro delineado por argamassa, sobreposta em moldura em arco, o mesmo dos vãos, e apresentam singulares esquadrias com caixilhos de madeira e vidro.

Nas fachadas laterais, encontram-se oito janelas, dois óculos e portas. Na capela-mor, “a mais opaca das fachadas, há uma porta sem acabamento, duas pinhas arrematam superiormente o topo das alvenarias e uma cruz, a porta da cumeeira”, destaca Almeida (p. 389).

Descrevendo o interior do templo, tem-se sobre a porta principal o coro, originalmente estruturado em madeira e, a partir do século XX, reconstruído em concreto armado recoberto por painéis de madeira. “Sob ele encontram-se uma pia batismal em lioz e uma bacia de água benta em pedra-sabão”, anota Almeida (p. 390).

A pesquisadora destaca o “austero interior” do templo, considerando, ainda assim, que, “ao longo dos séculos XVIII e XIX, à ‘caixa de pedra’ do Rosário são acrescidos altares com retábulos executados em talha em madeira e pinturas decorativas de múltipla coloração, as mesmas que temporariamente esconderam a branca caiação.”

Sobre os altares e retábulos, Almeida relata que, “próprios do século XIX e início do XX, apresentam diversificada composição, onde se destacam elementos e traços classicistas, especialmente visualizados, em maior unidade, no altar lateral, enquanto que nos dois altares colaterais e no altar-mor prevaleça uma ‘maneira’ própria de seu artífice” (p. 390).

Como se verá no próximo capítulo, dedicado ao processo de restauração do ano de 2016, parte das “pinturas de múltipla coloração” foi restabelecida, diminuindo -se consideravelmente a área de “branca caiação” do interior do templo, revelando um número maior de vestígios impregnados pelo tempo neste edifício que se tornou um verdadeiro relicário da religiosidade nas terras capixabas.

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