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A Igrejinha da Prainha

A despeito de não haver registros de religiosos na comitiva de tomada de posse das terras capixabas por parte do donatário Vasco Fernandes Coutinho (RIBEIRO, 2006), a Igreja e seus agentes ordenados tiveram papel decisivo na colonização do Espírito Santo. A ocupação portuguesa das terras até então povoadas por ameríndios -segundo Schayder (2002), em 1535, havia 55 mil índios nos limites do atual Espírito Santo, com três grandes nações, divididas em seis tribos: nação Tupi-Guarani, com a tribos Tupinambá, Tupiniquim, Temiminó ou Puris-Coroados, e Pataxó; nação Jê, com os Botocudos; e nação Macro-Jê, com os Goytacazes – foi especialmente dinamizada pelos religiosos.

Em verdade, foram os religiosos, notadamente os jesuítas, o grande motor da co colonização existente no período Colônia, fortemente limitada pelo papel desempenha do pelo Espírito Santo de barreira verde para proteção das riquezas das minas gerais. Os jesuítas aqui chegaram em 1551 e foram grandes empreendedores da capitania. Além da evangelização, os membros da Companhia de Jesus colocaram-se como grandes colonizadores do território ao sul da atual Grande Vitória, com três fazendas – Araçatiba (Viana), Muribeca (Presidente Kennedy) e Itapoca / Carapina (Serra) -, além de três aldeamentos – Nova Almeida (Serra), Guarapari e Reritiba (Anchieta). Produziam insumos e víveres para consumo local e exportação, entre eles carnes, açúcar e aguardente.

Por aqui viveu e atuou um dos ícones dos jesuítas em todo mundo, São José de Anchieta. O centro administrativo da Companhia de Jesus estabeleceu-se no conjunto formado pelo Colégio e pela lgreja São Tiago, construído entre os anos de 1551 e 1747, constituindo-se o que seria, por muitos anos, a maior construção do Estado e que hoje abriga o Palácio Anchieta, sede do governo capixaba.

De acordo com Schayder, nos tempos da colonização, os jesuítas tiveram a companhia de outros religiosos, sendo sua obra “complementada pela ação missionária dos franciscanos, capuchinhos, carmelitas e beneditinos” (p. 39), com especial destaque aos primeiros.

O precursor dos franciscanos foi o frei Pedro Palácios, aqui desembarcado em 1555. No entanto, segundo Schayder, esse foi um “gesto isolado” daquele cuja passagem por aqui deu origem ao maior símbolo capixaba, o Convento de Nossa Senhora da Penha, erguido, nos séculos XVII e XVIII, a partir de uma ermida construída pelo franciscano nos anos de 1560, durante os 12 anos vividos por aqui, tendo falecido em 1570 (RIBEIRO, 2006).

A atuação sistemática dos franciscanos no Espírito Santo se dá a partir da última década do século XVI, “quando, a convite do donatário Coutinho Filho, dois missionários, frei Antônio dos Mártires e frei Antônio das Chagas, foram despacha dos de Olinda” para cá, considera Schayder (p. 38), que registra:

A partir de então, por meio de arrecadação de esmolas e donativos, conseguiram reunir recursos suficientes para colocar em prática uma politica de assistência social dedicada aos mais pobres -atitude típica da Ordem, inspirada no exemplo de seu fundador, São Francisco de Assis, no século XIII. Para executar os projetos de evangelização a que se propunham, os franciscanos ergueram santuários monumentais. Com os materiais de construção disponíveis-pedra, areia e cal- foram levantadas as capelas, as igrejas e, especialmente, os conventos – em homenagem a São Francisco em Vitória, e outro dedicado a Nossa Senhora, construído em Vila Velha, no topo da elevação rochosa onde viveu e morreu o frei Pedro Palácios.

Jesuítas e franciscanos, que tão fortemente participaram da colonização, têm vinculação indelével com a trajetória da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, que vem testemunhando, ao longo de quase cinco séculos, os acontecimentos da cosmização levada a cabo pelos portugueses nas terras capixabas, a partir de 1535.

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