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A devoção ao Rosário

Herdeira de uma tradição de oração dos 150 salmos datada do século III, a criação da oração do Rosário marcada por uma – e, por conseguinte, da devoção ao Santo Rosário – diversidade de versões. No entanto, parece ser de entendimento to comum que sua instituição na formatação que nos chega até hoje, com ale as importantes modificações, como a recém-citada ampliação dos Mistérios feita por João Paulo II, ocorreu no século XIII, por obra de São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Dominicanos.

O nome Rosário substitui entre os leigos o de Saltério de Maria, e representa a vinculação de Maria com as rosas, a rainha das flores. Por uma tradição popular medieval, cada Ave-Maria rezada no cordão de contas representa uma flor, uma rosa espiritual ofertada a Maria, daí o nome de Rosário, cuja oração era ajustada aos fiéis leigos e majoritariamente iletrados da Idade Média. Ademais, rosarium tinha acepção de coletânea – coletânea de Ave-Marias, coletânea de rosas dedicadas à Santa Mãe do Senhor (GIULIETTI, 2014; BERALDI, 2012).

Beraldi (p. 104) escreve que São Domingos “ensinou o povo a rezar de uma maneira simples e fácil ..]. Substituir os 150 salmos por 150 Ave-Marias, que são as palavras com que o anjo Gabriel saudou a Mãe de Deus”. São Domingos também substituiu a antífona, “um incentivo à meditação” que se lê antes de cada salmo, pelo Pai-Nosso. Essas duas orações (Pai-Nosso e Ave-Maria) vieram do céu, pois foi Cristo que ensinou aos discípulos o Pai-Nosso, e a Ave Maria foi pronunciada pelo anjo na saudação” (p. 105).

Esclarecendo a composição da oração da Ave-Maria, segundo Giulietti a “primeira parte nasce da união de dois textos do Evangelho” (p. 13) – Lucas 1,28, com a “autêntica saudação do anjo a Maria durante a anunciação: ‘Saúdo-te [literalmente: Alegra-te], cheia de graça, o Senhor está contigo’; e Lucas 1,42, com a saudação da prima Isabel: ‘Bendita tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre”.

O autor afirma que o nome de Jesus faz a conexão dessa primeira parte com a segunda, fixada como “um pedido de intercessão: ‘Santa Maria, Mãe de Deus, rogais por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte’” (p. 14).

“Essa segunda parte, que invoca a intercessão de Maria, é atestada em várias formas a partir dos séculos XIV e XV na Itália”, afirma Giulietti (p. 16), de acordo com definições que remontam ao Concílio de Efeso, em 431, quando se “estabeleceu que Maria fosse invocada com o título de Santa Mãe de Deus” (p. 18). A primeira confraria devotada do Rosário data de 10 de março de 1476, em Colônia, na Alemanha. O primeiro documento de um pontífice sobre o Rosário é de Sisto IV, em uma bula datada de 12 de maio de 1479.

A partir do século XVI, quando o papa Clemente VII faculta a oração do Rosário (então, 150 Ave-Marias) a uma vez por semana, em vez de todos os dias, a devoção a Nossa Senhora do Rosário se difunde mundo afora. A coroa do Rosário está, inclusive, na obra Juízo Final, de Michelangelo, na Capela Sistina, tamanha a popularização da devoção (GIULIETTI, 2014).

Conforme já salientamos, por iniciativa de João Paulo II, atualmente o Rosário compreende a oração de 200 Ave-Marias, divididas em quatro coroas (Mistérios Gozozos, Dolorosos, Gloriosos e Luminosos). Cada coroa é introduzida por um Pai-Nosso, seguida de 50 Ave Marias e encerrada por um Glória.

Beraldi (p. 107) reporta que as meditações das 200 Ave-Marias e dos 20 Pai-Nossos do Rosário integral, conforme instituído por João Paulo II, segundo orientação do mesmo pontífice, podem ser assim divididas semanalmente:

Mistérios gozosos: segundas-feiras e sábados.

Mistérios dolorosos: terças e sextas-feiras.

Mistérios gloriosos: quartas-feiras e domingos.

Mistérios de luz: quintas-feiras.

A oração à Nossa Senhora do Rosário, ainda segundo Beraldi (p. 107), é a seguinte: “Nós, vossos servos, vos pedimos, Senhor, gozar sempre de saúde de alma e de corpo. Pela intercessão da gloriosa e sempre Virgem Maria, livrai-nos das tentações e das tristezas neste mundo e dai-nos um dia gozar das alegrias do céu. Por Le sus Cristo. Nosso Senhor”.

João Paulo II, ao editar a carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, em 16 de outubro de 2002, acerca da inserção de mais uma coroa de mistérios no Rosário, expressa sua convicção sobre a importância dessa oração para o fiel católico nos dias de hoje, além de reafirmar sua devoção a Virgem Maria:

O Rosário da Virgem Maria (Rosarium Virginis Mariae), que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo Milênio, é oração amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magistério. Na sua simplicidade e profundidade, permanece, mesmo no terceiro Milênio recém-iniciado, uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade. O Rosário, ao mesmo tempo que nos leva a fixar os olhos em Cristo, torna-nos também construtores da paz no mundo. Pelas suas características de petição insistente e comunitária, em sintonia com o convite de Cristo por sempre, sem desfalecer” (Lucas 18, 1), aquele permite-nos esperar que, também hoje, se possa vencer uma “batalha” tão difícil como é a da paz. Longe de constituir uma fuga dos problemas do mundo, o Rosário leva-nos assim a vê-los com olhar responsável e generoso, e alcança-nos a força de voltar para eles com a certeza da ajuda de Deus e o firme propósito de testemunhar em todas as circunstâncias “a caridade, que é o vínculo da perfeição” (Colossenses 3, 14).

Antes de seguir, importante dizer que há autores, conforme reporta Achiamé et al. (1991), que dizem que a primeira padroeira da Igrejinha da Prainha foi Santa Catarina (no testamento de Vasco Fernandes Coutinho Filho, de 1573, diz-se por duas vezes que o templo era dedicado a Santa Catarina), sendo substituída depois por Nossa Senhora do Rosário. O que é bem plausível, dada a popularização dessa devoção à época, patrocinada mundo afora especialmente pelos jesuítas e franciscanos no movimento da Contrarreforma.

 

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