Festa da Penha 2020 Igreja pelo Mundo

Frei Medella homenageia as mulheres e pede magnanimidade dos dirigentes neste flagelo da pandemia

Moacir Beggo

 São Paulo (SP) – Todos os anos, na véspera do dia da Padroeira do Espírito Santo, Nossa Senhora da Penha, uma multidão de mulheres invade as ruas de Vila Velha para homenagear a Senhora das Alegrias. Neste ano, por conta das restrições de isolamento devido à pandemia do novo coronavírus, essa homenagem ficou em cada coração dos devotos e devotas de Maria. Mas o Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella,  fez uma bela homenagem às mulheres durante a Celebração Eucarística, às 17 horas, que encerrou o Oitavário em preparação para a Festa da Penha, a ser celebrada amanhã.

No Ato Penitencial, Frei Medella pediu: “Nós, homens, precisamos pedir perdão por todas as vezes que fomos injustos com as mulheres. É muito triste abrir o jornal e ver as notícias de violência doméstica. Precisamos mudar esse quadro, que não condiz com a maioria do povo que se diz cristão”.

Depois, no início de sua reflexão, fez a homenagem às mulheres, pedindo que as musicistas do Oitavário ficassem de pé: Rosilene, Bárbara e Laís. “Elas representam todas as mulheres, nossas trabalhadoras, as mães, as profissionais de saúde. Recebam, da nossa parte, um carinhoso muito obrigado! Cobrem de nós, homens, o compromisso de sermos mais sensatos, mais fraternos, mais respeitosos na lida com vocês. Recebam, com todo carinho, nossa homenagem, nosso aplauso e o aplauso de todos que nos acompanham nas redes sociais”, disse Frei Gustavo, pedindo um viva a todas mulheres. “Que Nossa Senhora abençoe a todas!”

Depois, Frei Medella leu o início do Evangelho – “Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: ‘A paz esteja convosco’” – e fez a seguinte comparação:

“Estando fechadas as portas. Se trocarmos ‘por medo dos judeus’ e colocarmos ‘por medo do coronavírus’, quais são as portas fechadas hoje? E como Jesus transpõe essas portas e se faz presente nessas situações onde o medo adquire muita força? Estando fechadas as portas do hospital e da UTI por medo do coronavírus, de que maneira Jesus se faz presente ali onde, a princípio, parece que as forças da morte estão muitos fortes, muito evidentes?”, perguntou o celebrante.

“Não tenho dúvida de que ele se faz presente em cada destemido profissional de saúde, que coloca em risco a própria vida, que se afasta do convívio de sua família para ser família daqueles que não podem conviver com os seus por conta das restrições de um isolamento muito dolorido e difícil. E Jesus, na voz desse profissional de saúde, chega bem perto do ouvido deste doente, com todos os equipamentos que as normas prescrevem, e é capaz de dizer: ‘tudo o que estiver ao meu alcance fazer para que você recupere a saúde, eu vou fazer’”, ensinou.

“Não tenho dúvida que é Jesus falando e levando um pouco de paz para aquele coração aflito numa casa de família, onde começa vir o medo da fome. Estando as portas fechadas, por medo do coronavírus, aparecendo também o medo da fome, Jesus se encarna na presença de pessoas e de organizações generosas que sabem pensar no outro e se organizam para que não faltem nada para ninguém. Bate na porta, nem se apresenta, e deixa uma cesta básica naquela porta. A mãe abre e, eis a paz temporária que se instala no seu coração, ao saber que vai ter um almoço, uma jantinha e um café para ela e para os seus”, evidenciou.

Segundo o frade, esses são alguns dos modos em que Jesus continua sendo presença de paz entre nós e através de nós: “Ele nos ajuda a vencer o medo. Ele nos ajuda a cultivar a esperança de que, juntos, solidários, atentos uns das necessidades dos outros, tolerantes, e abertos ao diálogo, nós teremos condições de vencer o flagelo dessa pandemia”.

Depois Frei Gustavo lembrou que neste último dia do Oitavário de Nossa Senhora, que neste ano abordou as alegrias de Maria, faria uma meditação sobre a coroação de Maria como Rainha do céu e da terra. “Você que nos assiste, vê a imagem que temos aqui, em nosso convento, que traz Nossa Senhora das Alegrias coroada. Sobre sua cabeça você vê esta coroa, símbolo da realeza e do poder. Mas é um poder exercido de uma forma muito específica. É símbolo de um poder que jamais oprime, que agride, que desrespeita, que só pensa em si. Esse não é um poder real. Este não é o poder de um verdadeiro rei. Nós não podemos esquecer que a Virgem que diz, ‘todas as gerações me chamarão de bem-aventurada’, é a mesma que diante de Deus é capaz de, corajosamente, dizer: ‘Eis aqui a serva do Senhor’. A coroa é sinal de humildade. O verdadeiro rei é portador de uma característica que se chama magnanimidade. Ele é magnânimo, generoso. É ser capaz de enfrentar as dificuldades sem pensar primeiro em si ou nos seus interesses mais mesquinhos, mas olha para o todo da realidade, dando as respostas que cada situação necessita, refletiu.

Para o frade, Tomé, de certa maneira, não se comportou como um bom líder, um bom rei, no episódio do Evangelho deste domingo. “Faltou a ele a humildade de confiar em seus pares, em quem estava melhor informado, em quem conhecia melhor o episódio envolvendo Jesus. Ele negou-se acreditar no testemunho dos seus e, orgulhosamente, fez questão de ele mesmo ter que conferir a seu modo. Levou uma repreensão. Muito merecida. Graças a Deus entrou no eixo”, observou.

“Que as repreensões dos fatos, dos problemas e das dificuldades façam com que aqueles que nos dirigem entrem no eixo e tomem consciência da responsabilidade que têm e ajam magnanimamente. E aí serão lembrados, sim, como grandes. Serão lembrados, sim, como pessoas que souberam honrar a missão para que foram designados”, emendou o frade, trazendo a reflexão para nossos dias.

Para encerrar, Frei Medella deixou uma palavra de muito carinho para os frades da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. “São Francisco de Assis fundou a Ordem Franciscana numa pequena capela dedicada a Nossa Senhora, Santa Maria dos Anjos, em Assis, na Itália, um terço, mais ou menos, desta capela aqui do Convento da Penha. E essa capelinha, pequena, é muito grande e importante para todos os franciscanos. É chamada a Porciúncula, a pequena porção onde nasceu a experiência, o carisma, o modo de viver inspirado por Francisco de Assis. Não temo em dizer, queridos confrades, que o Convento da Penha, para a nossa Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, é esta Porciúncula de onde nascem as melhores esperanças, de onde brotam sinceras orações, que sustenta e anima a vida e a missão de nossos frades espalhados no território onde nossa Província se faz presente: Do Espírito Santo a Santa Catarina, e também em Angola e outros países onde temos irmãos em missão”, homenageou.

“Que Nossa Senhora das Alegrias, a Virgem da Penha, olhe e interceda por todos nós, frades franciscanos, por todas as mulheres, pelos nossos governantes e dirigentes e por todo o povo capixaba!”, completou.

A festa da Penha é fruto de uma semente lançada por Frei Pedro Palácios em 1558, quando chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses e desembarcou nas terras capixabas. O frade espanhol trouxe na sua bagagem um painel de Nossa Senhora das 7 Alegrias, que foi colocado numa gruta e deu origem à devoção franciscana que vem até hoje. Ao longo do tempo, essa devoção cresceu e foi construído o Santuário para a Mãe de Deus no ponto mais alto do penhasco. Desde então, romeiros visitam o Convento durante todo o ano.

A programação está disponível nas redes sociais do Convento da Penha através do FacebookInstagram e o Canal do YouTube.

O Oitavário também está sendo transmitido diariamente pelo site do G1/ES.

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