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Abertura da Campanha da Fraternidade 2020 na Arquidiocese de Vitória: Somos todos convidados a ser como o Bom Samaritano

Uma multidão de fiéis lotou as ruas, escadarias e praças do Centro de Vitória na tarde deste domingo durante a abertura da Campanha da Fraternidade 2020 na Arquidiocese de Vitória. Este ano a Campanha tem como tema“Fraternidade e vida: dom e compromisso” e o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele (Lc 10,33-34)”.

Leigos e leigas, leigos (as) consagrados (as) agentes das Pastorais Sociais, integrantes de movimentos, religiosos e religiosas, padres, seminaristas, diáconos, todos estavam presentes e motivados a lembrar e refletir, durante a caminhada, sobre as mazelas sociais que tanto acometem os menos favorecidos em nossa sociedade e que merecem nosso olhar, compaixão e nossa ação.

Ao todo cinco atos fizeram parte do percurso. O primeiro aconteceu logo após a acolhida e saída da Catedral Metropolitana de Vitória, no Viaduto Caramuru. Um grande painel que ilustrava a passagem do Bom Samaritano foi pendurado no viaduto. No local foi feita a leitura do Evangelho de São Lucas (Lc 10, 25-37), a parábola do Bom Samaritano.

Durante a reflexão, Dom Dario, acompanhado pelo vigário do Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória,  Pe. Kelder Brandão, pelo Pe. Vandaike Costa Araújo e pelo seminarista Vítor César Zille Noronha, partilhou três pontos importantes para a reflexão do período quaresmal, ao qual estamos vivenciando. “O primeiro encontra-se na pergunta feita pelo Mestre da Lei, que rege todo o discurso de Jesus: “Quem é o meu próximo? O segundo ponto diz respeito a atitude do Bom Samaritano em tornar-se próximo e responsabilizar-se como homem que viu caído, quase morto. Por fim, o terceiro ponto, encontra-se nas palavras de Jesus, dirigidas ao doutor da Lei: vai e faze tu o mesmo, indicando a responsabilidade com a vida do outro como algo fundamental no caminho da fé”, disse dom Dario.

Após uma reflexão mais aprofundada  sobre esses três pontos, dom Dario lembrou a todos que Deus deseja nos ensinar o caminho  da compaixão, solidariedade e do compromisso.

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“Devemos aprender como o Mestre a sermos compassivos e misericordiosos, capazes de gestos concretos de amor e solidariedade, principalmente com aqueles menos favorecidos. São muitos os caídos em nossas estradas e cidades, em nossos hospitais e penitenciárias em nossas comunidades e periferias. São homens mulheres, jovens e crianças, em sua maioria pobres e negros marcados por muitas formas de violência e expropriação de seus direitos. Deixemo-nos tocar profundamente pelas atitudes de Jesus e desejemos seguir seus passos, assim como fez o Bom Samaritano,  nos tornemos próximos daqueles que encontrarmos pelas nossas estradas”, afirmou.

Após a fala do arcebispo, um dos dirigentes convidou o povo a voltar o olhar para o Morro da Senhora da Piedade, contemplando também as ruínas do Convento São Francisco e pediu  que todos se unissem em oração pelos pobres que moram nos morros e periferias da Grande Vitória, vitimados pela política de morte, preconceitos e intolerância. A oração de São Francisco foi cantada por Danilo, um dos puxadores da escola de samba Unidos da Piedade.

O segundo ato aconteceu na escadaria da Rua Thieres Veloso, preparado pela Pastoral Carcerária. No local, um painel do Monsenhor Júlio Renato Lancellotti, grande defensor dos direitos humanos, e pessoas com pratos vazios nas mãos e cartazes que lembravam todos os direitos perdidos pelas pessoas no atual governo.

Durante a reflexão proposta sobre “quem é o meu próximo” foram lembrados todo as pessoas em situação de rua e os que foram assassinados por estarem nessa situação, os desempregados, os que morrem nas filas dos hospitais, esperando pela saúde pública que nunca chega e os que passam fome.

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A multidão seguiu rezando e cantando para a terceira parada, que aconteceu na Escadaria Bárbara Lindemberg, em frente ao Palácio Anchieta. Pendurada na escadaria, uma faixa com os nomes de todos os que foram assassinados durante a Greve da Polícia Militar, há três anos, e cujas famílias não tiveram qualquer política de reparação por parte do governo, que sequer foi capaz de concluir a investigação da maioria dos inquéritos para o  prosseguimento da devida Ação Penal.

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Durante o ato foi reivindicado que o Estado assuma sua responsabilidade pelo que aconteceu durante a greve da PM e que decrete, mesmo que tardiamente, luto oficial. Também foi reivindicado a reparação pelos danos causados às famílias que sofreram com a morte dos seus entes. Durante a terceira parada, também foram lembrados todos os encarcerados e a situação dos presídios e as dificuldades que enfrentam diante da justiça.

O quarto ato foi na Praça Oito e lá, cartazes no chão lembravam o número de mulheres atingidas por várias formas de violência,assim como a violência e discriminação contra membros das comunidades LGBTI e ainda a violência contra pessoas que professam religiões de matrizes africanas.

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Após a reflexão foi proposto que todos os presentes, com o intuito de superar os medos, as distâncias e preconceitos, se abraçassem para rezar a oração do Pai Nosso na versão ecumênica, por todas as vítimas do machismo, da homofobia, do racismo da intolerância religiosa e da Ignorância.

No caminho para o último ato, foi realizada uma parada para a reflexão sobre os crimes contra a natureza. “O Papa Francisco e o Texto Base da Campanha da Fraternidade afirmam que o próximo é o nosso Planeta Terra e toda vida que pulsa nele. É o meio ambiente violentado pela ganância humana e por um sistema político, econômico e social que só valoriza o dinheiro, colocando em risco o futuro vida humana e não humana que habita na Terra, nossa casa comum”, afirmou um dos dirigentes.
Foi lembrado a necessidade da conversão de toda humanidade à uma ecologia integral, respeitando e valorizando a vida humana e não humana, colocando-a no centro das relações.

Neste momento foi aberta uma grande rede de pesca e proposto que é chegada a hora de lançar redes em águas mais profundas, rompendo com as amarras que nos aprisionam a um sistema político e econômico iníquo, que explora a natureza e degrada a criação de Deus.

Muitos se aproximaram da rede e a conduziram, puxando-a pelo percurso até a próxima parada. “Como os apóstolos do Senhor no Lago de Tiberíades, sejamos os pescadores e pescadoras de peixes, pessoas e dignidade. Vamos puxar nossa rede, com fé, determinação, coragem e alegria. Continuemos acreditando que é possível, sim, lançar a rede e pegar uma grande quantidade de peixe grandes”, propôs um dos dirigentes.

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O quinto e último ato foi na Praça Getúlio Vargas e foi preparado pela Pastoral da Criança. Foi um momento de celebrar a força, a beleza e a grandeza da vida! Crianças de vários projetos que tem a participação da Arquidiocese e das Pastoral da Criança aguardavam a chegada da multidão. Durante a tarde, enquanto aguardavam o ato final, elas participaram de atividades e brincadeiras. Uma apresentação do grupo de capoeira do Reame foi realizada por jovens e crianças.

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Durante a reflexão foi lembrado que os quarenta dias da quaresma nós nos preparemos para celebrar a vitória da vida e do amor sobre a morte e pecado, que a vida foi mais forte do que a morte, que o amor venceu o pecado,e que após três dias, o Senhor ressuscitou recriando a criação.

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“A ressurreição acontece em cada vida que vem ao mundo, em cada criança que nasce, em cada planta que germina, em cada flor que desabrocha, em cada aurora que anuncia um novo dia. Sim! Somos nós os portadores desta Boa Notícia! Enquanto houver barulho de criança, haverá esperança para nós e para o mundo. Celebremos a festa da vida! Vibremos com nossas crianças. Renovemos nossa fé, nossa força e nossa esperança! A ressurreição é a festa da vida. Vamos vive-la intensamente como fazem as crianças ao brincar. Vamos brincar de viver, porque brincando de viver a vida se torna um grande Dom e Compromisso”, pontuaram dos dirigentes.

Para encerrar, dom Dario, deu  a benção e envio e todos rezaram juntos a oração da Campanha da Fraternidade. Para o arcebispo, cada um é convidado a ser o Bom Samaritano e olhar com compaixão para o mais necessitado. Ele comentou a grande adesão de pessoas na abertura da Campanha da Fraternidade.

“O sentimento é de gratidão a Deus e gratidão pela oportunidade de despertar em cada um a responsabilidade pelo cuidado com o próximo. Esse é o cuidado que Jesus  tinha, de olhar pelo pobre, pela criança, pelos excluídos, pelos marginalizados, pelas mulheres, pelos abandonados”, concluiu.

Fonte: AVES

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