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9º dia da Novena de Pentecostes: “Espírito de Temperança”

Com o tema “Espírito de Temperança” e tendo como inspiração a passagem do evangelho de Lucas: “Cuidado! Evitem todo o tipo de Ganância” (Lucas 12,15), deu-se início ao 9º e último dia da Novena de Pentecostes.

Preparada pela equipe de Catequese (1ª Comunhão e Perseverança), a celebração foi presidida por Frei Clarêncio e participação dos Freis Florival, Leandro e Nazareno e do diácono Campelo.
Frei Clarêncio saudou a todos e pediu para que tivessem no coração, em especial nesta missa, além de todas as intenções que trouxeram, duas em especial:
– a primeira pela posse de Dom Sevilha, amanhã na arquidiocese de Bauru, que tem como padroeiro o Divino Espírito Santo.  Ele lembrou que Dom Sevilha serviu em nossa arquidiocese por quase 6 anos e devemos ter o coração agradecido por isso.
– e a segunda intenção é pelo frei Vitalino Turcato, que completa, exatamente neste dia, dois anos da sua entrada no céu. Depois de Frei Firmino, Vitalino foi o frei que mais trabalhou na restauração do Santuário. Pediu para que tivéssemos nosso coração agradecido a Deus pelo bem que ele nos fez e rezássemos para que Deus conceda a ele, e a todos os falecidos da nossa paróquia, a paz e a vida eterna.

Iniciando o momento devocional, a comentarista destacou que a vida com Jesus é como uma árvore que cresce, amadurece e dá fruto.  E que o Espírito Santo de Deus distribuiu, ao longo desses nove dias, os seus frutos neste santuário. Neste instante, as crianças da catequese entraram pelo corredor central, levando cartazes que lembravam os frutos do Espírito Santo celebrados ao longo da novena: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e temperança.
Enquanto isso, mais crianças encheram o Santuário agitando lenços vermelhos e uma, com um cartaz com uma pomba simbolizando o Espírito Santo, acompanhou o acendimento na nona vela.

Seguindo o momento penitencial, Frei Clarêncio enfatizou que para bem vivermos, devemos pedir a Deus que purifique o nosso coração e nos limpe da falta de amor, da tristeza sem motivo, da agressividade que não deixa a paz florescer, das impaciências, dos gestos de divisão, da falta de amabilidade, das vezes que não fomos fiéis ao nosso batismo e por todas as vezes que a nossa raiva dominou o nosso coração.

A homilia foi conduzida por Frei Leandro, que destacou o tema da celebração: ESPÍRITO DE TEMPERANÇA. “Já foram acesas as nove velas neste nosso Santuário. E em nós, reacendidos os frutos do Espírito Santo. Essa novena valeu-se disso, a medida que foram acesas as velas e refletido acerca dos nove frutos do Espírito Santo, em nós cresceu a consciência do que nos é próprio, enquanto batizados e batizadas, portadores deste mesmo Espírito”, disse o frei.

Ele ressaltou que como fruto do Espírito Santo, a temperança é também uma das quatro virtudes cardeais.
“As virtudes cardeais nos ajudam em nossa orientação, comportamento, nossos hábitos… Sempre com o intuito de nos conduzir ao bem para que sejamos capazes de DAR O MELHOR DE NÓS MESMOS. A temperança é esforço e trabalho nosso, não de Deus. Ele nos deu o seu Espírito, o fruto que é gerado, tem que ser praticado por nós. É um bem infuso! A temperança é o freio da nossa alma. É a capacidade cristã de equilibrar-se diante de inumeráveis situações. É a virtude pela qual usamos com moderação os BENS TEMPORAIS DE TODA A ESPÉCIE: comida, bebida, conforto…  Mas também a maneira de proceder em nossos pensamentos, palavras e atitudes”, explicou.

Referenciando passagens bíblicas, Frei Leandro lembrou a primeira carta de Pedro que nos pede: “Sede sóbrios e vigilantes…”.
Em seguida fez diversas alusões às atitudes do nosso dia a dia relacionando com a importância da temperança em nossa vida. Citou a dosagem correta dos temperos de quem cozinha, a dosagem correta da temperatura da água da mãe que banha seu bebê, o controle de velocidade daquele que dirige, entre outras. “A temperança quer assegurar o domínio da vontade sobre os instintos e manter os desejos dentro dos LIMITES DA HONESTIDADE”, ressaltou.

Citando o evangelho de Lucas: “Cuidado! Evitem todo o tipo de ganância” (Lu 12, 15), o frei seguiu a homilia com sábias palavras: “A ganância é prova de nosso egocentrismo. Tal e qual nos mostra a primeira leitura que escutamos a pouco. Babel é uma expressão do orgulho do homem em Gênesis. Longe de Deus, o homem queria construir uma cultura voltada para seus prazeres e interesses, ignorando Deus e as pessoas. Há novas Babéis em nossa sociedade: a economia, os interesses dos Estados, as muitas ideologias… Mas como caiu a primeira torre de Babel, e sua ruína foi perfeita… Quem nela estiver apegado, sucumbirá de igual modo”.

Frei Leandro acrescentou, ainda, que a pessoa que usa da temperança é uma pessoa equilibrada. “Quem tem discernimento, pauta seus dias em três atitudes: MODERAÇÃO, JUSTIÇA E PIEDADE (cf. Tt 2, 12). Só somos temperantes quando sabemos usar da fé e da razão. Sou temperante quando sei dar, no momento certo, o sim ou o não em determinadas situações”, explicou.

Inspirado na citação de São Francisco “quem tem uma virtude, possui todas as outras. Quem não possui determinada virtude, dificilmente terá outra”, o frei lembrou que as virtudes são dependentes entre si. “E do mesmo modo, a virtude se relaciona com a mesma coerência independente da situação. Por exemplo, quem é moderado e equilibrado no falar, certamente será equilibrado no consumir, no pensar, no fazer…”, acrescentou.

A partir desta reflexão nos trouxe um questionamento: “O que é maior? Sua língua ou seu corpo inteiro? O corpo, obviamente! E porque permitir à língua dominar sua vida? Fofoqueiro não morre! Somente se atualiza das ferramentas para continuar sua carreira… Em outro contexto, quando temos a frente o computador, ou o aparelho celular, transferimos aos dedos aquilo que a língua é capaz de fazer: proferir palavras ofensivas, maldosas, as ditas fofocas, mentiras… Em termos mais atuais, as fakenews”.

Seguiu com dizeres de São Tiago: “Quem não peca ao falar é pessoa íntegra, capaz de frear o corpo inteiro” (Tg 3, 2).
“Observem os navios, tão grandes e arrastados por ventos fortes: com um leme minúsculo, no entanto, o piloto o guia para onde quer. Assim também é a língua” (Tg 3 ss).
E lembrou o que Papa Francisco nos diz sobre a fofoca. “Como se fofoca na Igreja! Quanto fofocamos, nós cristãos! A fofoca é precisamente esfolar-se. É maltratar-se mutuamente. Como se a gente quisesse diminuir o outro. Em vez de eu crescer, faço que o outro seja diminuído e me sinto bem. Isso não está bem! Parece agradável fofocar…. Não sei porque, mas a pessoa se sente bem. Como uma bala de mel, não é? Você come uma – Ah, que bom! – E depois outra, outra, outra e ao final fica com dor de barriga. E por que? A fofoca é assim: é doce no começo e depois acaba contigo, acaba com a tua alma! As fofocas são destrutivas na Igreja”.

Frei Leandro finalizou a homilia afirmando que apesar de nossos limites, Deus nos quer em seu caminho: “Nos quer atuantes.  Nos pediu para que sejamos capazes de reconhecer as faltas todas, e recomeçar, de modo que o Espírito venha em socorro de nossa fraqueza”, disse.

E o nono dia da novena foi finalizado com o convite para juntos celebrarmos a festividade de Pentecostes amanhã, domingo.

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