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Frei Leandro Santos será ordenado presbítero dia 9

Tirado do Evangelho de São João, este é o lema escolhido por Frei Leandro Costa Santos para a sua ordenação presbiteral no dia 9 de fevereiro em São Paulo. Frei Leandro será ordenado por Dom Fernando Figueiredo, seu confrade e bispo emérito da Diocese de Santo Amaro, às 10 horas, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Pedreira, em São Paulo (SP).

Filho de Francisca e Francisco Moisés dos Santos, Frei Leandro nasceu na capital paulista e é o terceiro dos seis filhos. Ingressou no Seminário de Agudos em 2005 e vestiu o hábito franciscano em 2009. Cursou em seguida Filosofia e Teologia e, em 2017, foi ordenado diácono no Santuário Divino Espírito Santo, em Vila Velha (ES), onde residiu antes de assumir, neste ano, o trabalho no Pró-Vocações e Missões Franciscanas (PVF), em São Paulo.

Do seu período de formação, destaca a forte experiência vivida entre os anos de 2014-2015 em Duque de Caxias, na Paróquia São Francisco. “A Igreja de Caxias, na minha história pessoal, é uma referência marcante em termos de igreja engajada e participativa”, diz o frade. Em 2016, concluiu os estudos teológicos. Sobre sua missão como sacerdote, lembra Frei Leandro: “Acredito também que o contato com o povo, além de ser um exercício ministerial, é uma fonte da qual me abasteço por inteiro. O povo de Deus, ao mesmo tempo que me pede uma palavra, uma bênção, uma direção, ele me coloca em uma atitude constante de conversão”. Acompanhe a entrevista a Moacir Beggo!

Site Franciscanos – Como se deu seu discernimento vocacional?

Frei Leando Costa – Quando me convidam, por alguma razão, para partilhar o chamado de Deus à vida consagrada, ou até mesmo nessas conversas de corredor, costumo situar Deus e sua voz me chamando em um ambiente muito simples. Nada surpreendente comparado àquelas “grandes conversões”. Deus foi muito simples. Deus é simples o tempo todo. E isso é extraordinário, cheio de sentido e que me sustentou e sustenta até os dias de hoje.

Tinha exatamente 14 anos quando fui tomado por aquelas perguntas sobre o “sentido da vida”, “o que fazer?”. Nesse questionamento, puramente existencial, houve abertura para que Deus me ajudasse nessa resposta. Na idade que tinha, e dentro do que me competia enquanto leigo, Deus me sugeriu: “Por que não ser padre?”. Não por outro motivo se não pelo fato ter como única referência, em termos de serviço à Igreja, o padre diocesano como pessoa real nessa entrega.

Na época, na paróquia em que participava, atuava em um movimento similar aos escoteiros. Tínhamos muitas atribuições, muitas responsabilidades enquanto adolescentes. Éramos muitos envolvidos em tudo que a Igreja propunha. Foi neste contexto participativo e envolvente que percebi Deus. Foi desse ambiente comunitário que Deus me fez o convite: “Vem e segue-me”. Simples assim!

Depois de alguns meses fui encaminhado pelo próprio pároco, Pe. Francisco Chagas, a conhecer a proposta franciscana com os frades do Largo São Francisco, no centro de São Paulo. Fiquei praticamente meio ano sendo acompanhado por Frei Nazareno José Lüdke. Foi nos encontros vocacionais que pude realmente conhecer São Francisco e sua proposta jovem. Contudo, foi a partir do Seminário Santo Antônio em Agudos (SP), em 2005, que fiz meu discernimento vocacional. Permanecendo no Seminário é que pude firmar esse propósito. Agora não mais “padre”, agora queria era realmente ser um “frade”.

Site Franciscanos – Como São Francisco entrou na sua vida?

Frei Leandro – Na época em que iniciava a trajetória vocacional não tinha essa noção que hoje tenho e da qual descrevo. Reconheci São Francisco pelo caminho. Porém, revisitando a história familiar, percebi que na verdade São Francisco sempre esteve, de algum modo, presente em minha vida. Meus pais possuem, coincidentemente, os nomes Francisco e Francisca. Os dois possuem uma estreita relação com o santo. Eles são nordestinos. E dentro da fé enraizada dos nordestinos, seus pais, meus avós, os entregaram ao Santo das Chagas. Por isso o nome. A educação e a fé deles, enquanto família, foram marcadas pela presença franciscana capuchinha. E acho que, dentro dos planos de Deus, eu só poderia ser um franciscano. Por isso creio que São Francisco de Assis sempre esteve presente na minha vida.

Site Franciscanos – Fale um pouco de sua família.

Frei Leandro – Filhos de Francisco e Francisca, somos seis. Eu nasci no ano de 1990, na cidade de São Paulo. Meus pais, cearenses, chegaram a esta cidade como aquelas grandes levas de nordestinos que buscavam melhores condições de vida na cidade grande. Primeiro meu pai e, em seguida, minha mãe. Somos da periferia de São Paulo, zona Sul da capital. Família simples. Meus pais conquistaram a estabilidade mediante alguns sacrifícios, como todo o pai e mãe comprometidos com a educação de seus filhos. Fé, terços, missas dominicais, atividades na igreja, era o que nos sustentava. Somos seis filhos bem encaminhados, graças a Deus. Hoje tenho três irmãos casados, eles com os seus respectivos filhos e esposas. Minha irmã ainda mora com meus pais. Tenho um irmão caçula, o Mateus. Este último nasceu em 2009, quando estava no Noviciado. O conheci com quase um ano de idade.

O que poderia destacar de minha família são três coisas e esses três pontos fundamentais estenderam-se ao longo da vida formativa: ser fraterno, estudos e música. “Ser fraterno” pelo fato de sermos numerosos em casa. Era preciso saber repartir, pensar no outro, compartilhar espaços, estar juntos. “Estudos ou leitura” foi uma cobrança sempre presente. Bem! Meu pai teve a oportunidade de cursar algumas séries do ensino fundamental. Aprendeu a ler e a resolver alguns cálculos. Já minha mãe não teve oportunidade de estudar. Porém, dos dois éramos sempre cobrados para estudar, ler etc. O mais emocionante era escutar da minha mãe dizer “leia um livro!”, quando, no fundo, ela nunca tinha lido um. Mas ela sabia do valor dele. A “música” esteve sempre presente. Meu pai, com um violão muito simples, despertou em nós esse lado musical. Em casa, praticamente, todos ousamos tocar um instrumento. Meu irmão mais velho, com mais excelência, é formado e trabalha na área da música erudita; eu, no seminário de Agudos, iniciei aulas de violino e trago até hoje comigo esse dom. Deus e seus ensinamentos eram e são nosso norte enquanto família.

Site Franciscanos – Como define o ministério presbiteral?

Frei Leandro – O lema escolhido para o exercício do ministério presbiteral encontra-se no final do Evangelho segundo João: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 17). A partir desse lema, defino o ministério que assumirei como: pastoreio, zelo permanente, evangelização por proximidade, entrega desmedida e serviço integral ao Reino de Deus. Tudo isso não por méritos meus, mas pela misericórdia de Deus, num serviço que compartilho da parte de Deus.

Há uma passagem do Espelho da Perfeição, das Fontes Franciscanas, que retrata certa crise de Francisco em relação à Ordem, ao rebanho a ele confiado. Francisco, preocupado, recebe uma consolação da parte do Senhor, o verdadeiro Pastor desse rebanho: “Não te escolhi para governar minha família por seres um homem letrado e eloquente, mas te escolhi simples, a fim de que tu e os outros possais saber que eu velarei sobre o meu rebanho; e te pus como sinal para eles, para que vejam e realizem as obras que realizo em ti. Os que seguirem meu caminho têm e terão com mais abundância; mas o que não quiserem andar pelo meu caminho, ser-lhes-á tirado aquilo que pensam ter” (1EP n. 40).

E essa mesma passagem ainda diz que Deus disse a Francisco: “Faze o que fazes, trabalha o que trabalhas”. É nessa mesma confiança que me disponho a servir a Deus, à Igreja e aos homens. Convencido de que há um Pastor Maior, o Pastor dos pastores, que me recomenda cuidado sobre o seu rebanho. Até porque ele diz “minhas ovelhas” (Jo 21, 17). Com a imposição das mãos e preces do bispo, a partir do dia 9 de fevereiro, serei esse sinal para eles (povo de Deus), para que vejam e realizem as obras que Deus realiza em mim. “Minha obrigação é dar bom exemplo” (cf. Tt 2, 7) e instruir pelas obras. Com a graça de Deus, apascentarei esse rebanho abençoando-o, administrando a ele os sacramentos e orientando-o permanentemente, consciente que sou delegado para apascentar os filhos e filhas de Deus na seara do Senhor.

Site Franciscanos – Quais expectativas você tem para este novo tempo na sua vida religiosa franciscana e no Pontificado do nosso querido Papa Francisco?

Frei Leandro – A vida de nosso Papa Francisco é um apelo a essa proximidade do pastor com a ovelha. É emblemática a fala de nosso Papa quando diz: “Os pastores devem ter o cheiro das suas ovelhas”. A isso conjugo o lema que já pude dizer. Sendo assim, a expectativa é contribuir com a Igreja no pensar e no pastorear com as ovelhas. Consciente das exigências da ordem presbiteral, quero poder ser um pastor que se aproxima do rebanho confiado. Ser próximo é o sincero desejo. E, no estar com fiéis, acolhê-los, senti-los, amá-los e orientá-los. Ousadamente parafraseio Santo Agostinho com a minha futura vida de religioso no serviço ministerial: Aterroriza-me o que sou para vós; consola-me o que sou convosco. Pois para vós um padre; convosco, sou cristão.

Site Franciscanos – Quem é a sua fonte de inspiração? Onde busca alimento para sua espiritualidade?

Frei Leandro – Minha inspiração não poderia ser outra se não o próprio São Francisco de Assis. Seu amor e zelo pela Eucaristia, sua entrega, sua consagração fiel e total a Cristo. Sua vida motiva o sacerdócio ministerial, por mais que não tenha sido essa a sua opção enquanto membro da Igreja. A minha espiritualidade é mantida na oração pessoal. Estar a sós com Deus. Tenho São José como um grande motivador. Invoco o esposo da Virgem pedindo que ele me inspire nessa entrega; e que ela seja integral, como foi a sua para Deus no cuidado de Jesus. De modo geral, tenho muito presente a leitura dos Santos Padres, como também literaturas espirituais consistentes.

Acredito também que o contato com o povo, além de ser um exercício ministerial, é uma fonte da qual me abasteço por inteiro. O povo de Deus, ao mesmo tempo que me pede uma palavra, uma bênção, uma direção, coloca-me em uma atitude constante de conversão.

Também outro manancial espiritual é estar em uma fraternidade, cujo plano de evangelização é claro e bem definido. De modo que, quando todos se fazem conscientes e atuantes, claros e convencidos do “onde e do como fazer as suas obrigações” enquanto fraternidade, tudo flui e me anima nessa missão.

Site Franciscanos – O que diria para um jovem sobre a vida religiosa franciscana?

Frei Leandro – Coragem e ousadia. Constância e vontade bem alicerçada! Nosso maior desejo é a felicidade! É só lembrar a passagem do jovem rico, quando se encontra com Jesus (cf. Mt 19, 16-30). A felicidade da parte de Deus é a “vida plena”, tantas vezes repetidas por Jesus. Essa vida plena está muito longe de ser um projeto egoísta, que exclui o outro. Longe disso! A vida em Cristo só pode ser entendida a partir do outro, da comunidade. Sendo assim, a vida consagrada franciscana, com seu projeto fraterno de vivência e evangelização, pode ser esse caminho.

Para um jovem que busca responder a Deus em sua vida, convido-o para uma abertura à proposta evangélica vivida pelo santo de Assis. Nela está depositado um frescor original para uma vida feliz. A vida franciscana é um destes terrenos a ser explorado e onde, certamente, você, jovem, encontrará o tesouro, a pedra preciosa.

Outra razão que dou, e faço dela um apelo, é dizer que a vida religiosa franciscana é encantadora, pois é marcada por experiências dinâmicas. O Evangelho que escutamos é vivo! À medida que é ouvido, exige de seus ouvintes uma resposta concreta. E a vida franciscana nos coloca nessa tarefa concreta, nos posiciona em situações reais de missão. A vida religiosa Franciscana é encantadora. Lugar de vivência saudável, comprometida e plena. Abra mão de tudo e venha conhecer a vida consagrada franciscana. Vale muito a pena!

Fonte: Franciscanos

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