Espiritualidade Franciscana

O clima insalubre da prisão, agravado pelos prolongados meses de inverno, haviam-lhe enfraquecido o organismo, provocando agora uma grave enfermidade. Depois de longos meses de sofrimento, sem poder sair da cama, finalmente conseguiu melhorar.

Ao levantar-se, porém, não era mais o mesmo Francisco. Sentiu-se diferente, sem poder compreender o porquê. A verdade é que a humilhação e o sofrimento da prisão, somados ao enfraquecimento causado pela doença, provocaram profundas mudanças no jovem Francisco.

Foi o caminho que Deus escolheu para entrar mais profundamente em sua vida. Já não sentia mais prazer nas cantigas e banquetes em companhia dos amigos. Começou a perceber a leviandade dos prazeres puramente terrenos, embora ainda não buscasse a Deus. Na verdade, Francisco não nasceu santo, mas lutou muito para se tornar santo!

No livro “Francisco”, o autor Gianmaria Polidoro (Editora Vozes) lembra que entre 1202 e 1205 encontramos um Francisco inquieto. Não é apenas a consequência de uma doença longa e misteriosa. É a inquietude de quem está incerto quanto ao rumo a dar à própria vida e se põe em estado de busca. Não sabe precisamente onde quer terminar, mas sente que, ao longe, um futuro desconhecido o chama.

Foi nessa época que começou a pensar um pouco sobre a vida de cavaleiro. Era o tempo das cruzadas, das lutas especiais, dos cantos trovadorescos de Orlando de Ronscisvale. Tornar-se cavaleiro? Poderia ser uma ideia.